Transporte em alerta: nova greve pode parar São Luís novamente
- Alexandre Ferreira
- há 1 hora
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A retomada da circulação dos ônibus em São Luís trouxe alívio temporário à população, mas o risco de nova paralisação permanece. O Ministério Público alerta que a falta de acordo entre trabalhadores, empresários e poder público pode levar a uma greve geral já a partir de quarta-feira (11).

A capital maranhense ainda tenta retomar a rotina após o fim da greve dos rodoviários, mas o cenário segue instável e cercado de incertezas. A promotora Lítia Cavalcanti alertou que a paralisação pode voltar já na quarta-feira (11), caso não haja avanço nas negociações entre empresas, trabalhadores e Prefeitura. Segundo ela, o principal risco está na falta de pagamento e na ausência de entendimento entre as partes envolvidas. O acordo que garantiu a retomada do serviço teve caráter emergencial e não solucionou os problemas estruturais do sistema, mantendo o transporte coletivo sob ameaça constante e deixando usuários novamente expostos à possibilidade de interrupção total do serviço essencial.
CONTRATO DEFASADO E IMPASSE ANTIGO
Um dos principais pontos levantados pelo Ministério Público é a ausência de revisão contratual do sistema de transporte, que deveria ocorrer periodicamente, mas não é atualizada há cerca de dez anos. A defasagem limita a cobrança por melhorias exigidas pela população, como frota climatizada e maior qualidade no serviço. A promotora destacou que muitas reivindicações populares não constam formalmente no contrato vigente, dificultando a atuação direta do poder público. Apesar das críticas, a avaliação é que uma nova licitação não resolveria o problema de imediato, já que o processo demandaria tempo e custos elevados. A saída mais viável, segundo o MP, seria a revisão do contrato atual por meio de negociação entre empresas e Município.
SUBSÍDIOS E IMPACTO NOS TRABALHADORES
Outro fator de tensão envolve o repasse de subsídios ao sistema de transporte. O Ministério Público aponta que descontos nos valores pagos às empresas acabam refletindo diretamente nos trabalhadores, com atrasos salariais e risco de novas paralisações. A Prefeitura sustenta que os repasses não são integrais devido à redução da frota em circulação, argumento contestado pela promotora. Para o MP, o modelo atual contribui para o agravamento da crise, já que o subsídio é considerado essencial para manter o funcionamento do sistema e evitar que o custo total recaia sobre os usuários. A falta de definição sobre esses valores mantém o setor em estado permanente de instabilidade e amplia o risco de greve geral.
AÇÃO JUDICIAL E RISCO DE COLAPSO
Diante do impasse, o Ministério Público ajuizou Ação Civil Pública pedindo aumento do subsídio, renovação da frota com pelo menos 100 novos ônibus, retirada de veículos antigos e apresentação das planilhas de custos do sistema. A medida busca evitar novas interrupções e garantir transparência na formação da tarifa. Fiscalizações anteriores já apontaram falhas tanto da Prefeitura quanto das empresas operadoras, reforçando o diagnóstico de crise estrutural. Mesmo com a retomada parcial do serviço, trabalhadores ainda cobram pagamentos atrasados, e o indicativo de nova paralisação mantém a cidade em alerta. Sem consenso imediato, o transporte coletivo pode voltar a parar sem previsão de normalização.



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