Quebradeiras de Coco Babaçu se Reúnem em Imperatriz para Lutar por Justiça Climática e Direitos
- Alexandre Ferreira
- 18 de out.
- 2 min de leitura
Em Imperatriz (MA), quebradeiras de coco babaçu de quatro estados se reúnem para discutir justiça climática e de gênero no projeto "Defensorias nos Babaçuais", que visa fortalecer a proteção das comunidades extrativistas e do bioma Cerrado.

Defensorias nos Babaçuais
O projeto "Defensorias nos Babaçuais" reúne quebradeiras de coco babaçu do Tocantins, Maranhão, Pará e Piauí em Imperatriz (MA). Com o intuito de discutir justiça climática, ambiental e de gênero, as participantes entoam um clamor pela preservação das palmeiras: “Ei, não derrube essas palmeiras. Ei, nos devolve os palmeirais! Tu já sabes que não pode derrubar, precisamos preservar a riqueza natural...” As atividades, que começaram na quinta-feira, 16, na Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), seguem até sexta-feira, 17.
Iniciativa e Parcerias
O projeto é uma iniciativa da Defensoria Pública do Tocantins (DPE-TO), em parceria com as Defensorias Públicas do Maranhão (DPE-MA), Pará (DPE-PA) e Piauí (DPE-PI). O foco é fortalecer a atuação conjunta das instituições na proteção das comunidades extrativistas e na defesa do bioma Cerrado, que enfrenta sérias ameaças devido ao avanço do agronegócio.
Importância do Contato Direto
Durante a abertura, o defensor-geral do Maranhão, Gabriel Furtado, enfatizou a relevância do contato direto com as comunidades tradicionais: “Tem dores que a letra da lei não mostra. É preciso ouvir essas mulheres e, a partir daí, definir as prioridades da Defensoria”, afirmou. A defensora pública Kênia Martins (DPE-TO), idealizadora do projeto, explicou que esta etapa representa a consolidação das atividades desenvolvidas nos quatro estados e uma preparação para a COP30, que ocorrerá em Belém (PA), em novembro. “A proposta é construir estratégias de litigância por justiça climática, territorial e ambiental”, disse.
Unidade e Protagonismo
O defensor-geral do Tocantins, Pedro Alexandre Aires, destacou a unidade entre as instituições: “As linhas que dividem nossos estados são imaginárias. A Defensoria Pública brasileira mostra sua força e respeito ao se unir em defesa das quebradeiras e do meio ambiente”. Representantes das Defensorias do Pará e do Piauí também ressaltaram o protagonismo das mulheres e o papel da Defensoria como um instrumento de transformação social. Para Ednalva Ribeiro, vice-coordenadora do MIQCB, a iniciativa é um marco: “A Defensoria Pública está nos ouvindo e nos ajudando a combater as violências e a destruição dos babaçuais. Queremos ser ouvidas e atendidas”, afirmou.
Mesa de Abertura e Programação
A mesa de abertura contou com a participação de representantes do Ministério das Mulheres, da Defensoria Pública da União (DPU), do Conselho Nacional de Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), da ONU Mulheres, da Uemasul e da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT). A programação incluiu mesas de debates, oficinas temáticas e a entrega da Carta da Pré-COP dos Povos e Comunidades Tradicionais, que reúne as principais demandas das comunidades extrativistas em direção à COP30.
Compromisso com os Direitos Humanos
O projeto “Defensorias nos Babaçuais” é uma ação conjunta das Defensorias Públicas e do MIQCB, com o apoio do Ministério das Mulheres, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da ONU Mulheres. Essa colaboração reafirma o compromisso das instituições com a defesa dos direitos humanos e a equidade de gênero.






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