Prematuridade no Brasil: 340 mil bebês nascem antes do tempo anualmente, desafiando mães e saúde pública
- Alexandre Ferreira
- 2 de dez.
- 3 min de leitura
No Brasil, a prematuridade afeta 12% dos nascimentos, resultando em cerca de 340 mil bebês por ano. Emília Cândida Ferreira, mãe de um prematuro, vive a realidade de cuidados intensivos e inseguranças diárias.

No Brasil, a taxa de prematuridade atinge 12% dos nascimentos, resultando em quase 340 mil bebês que nascem antes do tempo a cada ano. Para muitas mães, esses números se tornam pessoais e emocionais, como é o caso de Emília Cândida Ferreira, de 34 anos, residente na Raposa, município da Grande São Luís. Seu filho nasceu com 37 semanas, no limite do esperado, e desde então, Emília vive entre o medo e a vigilância constante, buscando proteger seu filho. “Aqui é quente demais. Às vezes ele fica meio amuado e eu fico logo com medo. Eu não sei muito o que fazer, só vou olhando ele o tempo todo”, desabafa sobre sua rotina de cuidados.
Desenvolvimento e Cuidados
Emília observa atentamente o desenvolvimento do filho e segue rigorosamente as orientações médicas. Cada pequeno progresso, como uma respiração mais tranquila ou um sono melhor, traz alívio. O clima quente do Maranhão, embora pareça favorável, exige cuidados especiais para os recém-nascidos prematuros. A pediatra e infectologista Mônica Gama, da Hapvida, destaca que esses bebês têm características específicas, como dificuldade em manter a temperatura corporal, pele fina que perde água rapidamente e pouca gordura. “Mesmo com o calor do Maranhão, o prematuro perde calor muito rápido, podendo entrar em hipotermia. A observação rigorosa da temperatura do bebê e do ambiente é essencial”, alerta.
Desafios e Prevenção
Em regiões com acesso limitado a unidades neonatais, os desafios aumentam. Para Mônica Gama, a prevenção deve começar durante a gestação, com um pré-natal bem conduzido, reduzindo o risco de partos prematuros. Após o nascimento, a maternidade onde ocorreu o parto se torna a principal referência, oferecendo orientações personalizadas e, se necessário, encaminhamentos para unidades especializadas. Após a alta, a prevenção de doenças respiratórias, comuns no Maranhão devido ao clima quente e à variação de umidade, é crucial. Os cuidados incluem evitar locais fechados e aglomerados, manter o bebê longe de fumaça e poluição, controlar visitas e garantir que quem tocar no bebê lave bem as mãos. Também é importante proteger o prematuro de pessoas gripadas ou com tosse, além de manter o calendário de vacinação em dia e garantir o aleitamento materno exclusivo até os seis meses.
Amamentação e Apoio
A amamentação, no entanto, pode apresentar dificuldades. Os bancos de leite humano oferecem acompanhamento especializado, e, onde não há um banco, a maternidade de nascimento continua a ser um suporte, com equipes treinadas para ajudar a mãe em todas as etapas.
Prematuridade no Maranhão e no Brasil
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a prematuridade em três níveis: moderada (32 a 36 semanas e 6 dias), severa (28 a 31 semanas e 6 dias) e extrema (menos de 28 semanas). Até novembro de 2025, o Maranhão registrou 7.070 bebês nascidos antes de 37 semanas, conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde. Em 2024, foram 9.464 prematuros, evidenciando um desafio contínuo para as famílias e para a rede de saúde. No Brasil, a situação é igualmente preocupante: um em cada dez bebês nasce prematuro, colocando o país entre os dez com mais partos prematuros no mundo. As estimativas para 2024 e 2025 indicam entre 300 mil e 340 mil nascimentos prematuros por ano, representando cerca de 11% a 12% de todos os partos, um índice superior à média global. Nos primeiros nove meses de 2025, já foram registrados 193.281 casos no país.



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