Lula recebe ligação de 40 minutos de Putin
- Alexandre Ferreira
- 9 de ago.
- 2 min de leitura
Lula recebeu uma ligação de 40 minutos de Vladimir Putin para discutir paz na Ucrânia e cooperação Brasil-Rússia. O gesto ocorre enquanto o governo enfrenta atritos diplomáticos com Ucrânia, Israel e EUA, marcados por declarações polêmicas e alinhamento com blocos fora do eixo ocidental.

Na manhã de 9 de agosto, o presidente Lula recebeu uma ligação de 40 minutos de Vladimir Putin. O russo apresentou atualizações sobre negociações com os EUA e esforços de paz com a Ucrânia, agradecendo o apoio brasileiro. Lula reafirmou a disposição para contribuir via Grupo de Amigos da Paz Brasil-China. Apesar do discurso conciliador, a postura brasileira não é vista como totalmente neutra: há tensões abertas com Kiev desde declarações de Lula que relativizaram a invasão russa, gerando críticas diplomáticas.

Diplomacia seletiva e desgaste com Israel
A conversa também abordou política e economia global, além de fortalecer os laços bilaterais e no âmbito dos BRICS. Foi confirmada a intenção de realizar ainda este ano a Comissão de Alto Nível Brasil-Rússia. No entanto, essa aproximação ocorre num contexto em que o Brasil tem relações desgastadas com Israel — após falas de Lula comparando ações israelenses a genocídio, que resultaram em sua declaração como persona non grata — e enfrenta críticas de países alinhados ao Ocidente pelo seu posicionamento em conflitos.
Relação turbulenta com os Estados Unidos
A ligação aconteceu pouco antes do encontro previsto entre Putin e Donald Trump. Lula mantém afinidade política com a Rússia em pautas estratégicas, mas lida com fricções crescentes com Washington, agravadas por declarações desafiadoras contra a política externa dos EUA e por tarifas comerciais impostas recentemente. Além disso, articulações políticas internas de grupos bolsonaristas têm explorado essa deterioração nas relações para fragilizar a imagem internacional do governo e questionar sua competência diplomática.
Riscos e cálculos da estratégia externa
Esse movimento de aproximação com Moscou reforça o alinhamento brasileiro a blocos alternativos ao eixo EUA-UE, mas não necessariamente consolida o país como mediador de conflitos. Sob Lula, a diplomacia brasileira enfrenta um cenário mais polarizado, no qual gestos de aproximação com uns geram afastamento de outros. A aposta no BRICS e em fóruns como o Grupo de Amigos da Paz sinaliza uma estratégia de multipolaridade, mas também evidencia que o Brasil está assumindo riscos calculados em sua política externa.



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